( Uma estória verdadeira)

Fátima Irene Pinto 




Era Dezembro e o Natal se aproximava.
Eu andava por uma rua comercial quando deparei com a vitrine de uma loja, onde dois vestidos estavam colocados em destaque, de forma a chamar a atenção de quem passasse.

Parei e olhei-os por longo tempo. Pareciam feitos para mim.
Combinavam com meu gosto, com meu porte e até com os complementos que eu já possuía. Com estes dois vestidos o meu guarda-roupa estaria completo... e eu bem que estava precisando sentir-me bonita. Entretanto, não podia comprá-los. Pelo menos, não naquele momento.
Ainda assim, arrisquei entrar na loja e perguntar o preço, afinal, quem sabe eu pudesse adquirir em parcelas, pelo menos um deles. Mas quando a vendedora informou-me o preço, eu soube que não poderia comprá-los em tempo algum.Eram caríssimos.
Saí da loja desapontada, olhando os vestidos com fascinação e segui como se deixasse para trás um pedacinho de mim.

O tempo passou. Na verdade, dois exatos anos e portanto era Natal novamente.

Passava eu pela mesma rua e reparei que naquela tal loja não havia mais roupas, porém artigos para escritório e material escolar.
Entrei então para comprar um caderno de anotações e enquanto o fazia,olhei distraidamente para o escritório do proprietário que ficava num cômodo ao fundo.
Ao lado dele, amontoavam-se alguns pacotes e deviam estar ali há tanto tempo,que alguns já estavam rasgados.
Vi então algo que me chamou a atenção: através do rasgo de um dos pacotes, aparecia um tecido com listras que me pareceu agradável e familiar.

Não resistindo à curiosidade, perguntei à balconista o que continham aqueles velhos pacotes empoeirados e ouvi a seguinte resposta:
- Quando liquidamos a loja de roupas para transformá-la em papelaria, sobraram algumas peças e estão aí empacotadas, criando poeira. Hoje mesmo o Sr.João vai dar fim nelas.
- Você se importa de me mostrar aquele pacote rasgado? - perguntei eu, hesitante.
Meio contrafeita por ter que meter a mão na poeira, a balconista pegou o pacote e o abriu.
Para minha surpresa,lá estavam os vestidos! Não só aquele de listras, mas também o outro, aquele azul-marinho clássico que há dois anos atrás haviam deslumbrado meus olhos.
É bem verdade que estavam empoeirados, amarrotados e até cheirando a mofo, mas ainda assim, eram lindos!
- Gostaria de comprá-los - disse eu à balconista.
- A Sra. quer comprar isto aqui?- perguntou ela perplexa.
E foi ter com o dono da loja que veio sorrindo ao meu encontro.
- Na verdade a Sra. está me fazendo um favor levando isto embora. É todo seu!

Mal podia acreditar...saí de lá direto para a lavanderia e, os meus vestidos depois de passarem pelo toque de mestre de um bom tintureiro, ficaram novos em folha e ainda mais deslumbrantes.
Era Natal, eu me sentia bonita, eu estava feliz porque em minha vida, nenhum outro presente havia me chegado assim, de forma tão inusitada. E eu pude concluir que algumas coisas, definitivamente são nossas. Ninguém pode tirá-las de nós, ainda que tenhamos que esperar por elas.

Concluí também, que o bondoso Noel, tem lá suas maneiras estranhas de nos presentear !

 
( Fato real ocorrido em dezembro de l989)
(Repasse com os devidos créditos)

 












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Página editada em:21/12/2002